Amigos imaginários

Dia desses alguns amigos imaginários bateram lá em casa.
Foi uma festa destas que a gente nunca viu, mas quando foram embora a casa ficou vazia.
Ficaram os pedaços de tudo: do pão dormido, sonolento e duro, as marcas de batom na beirada dos copos e a náusea causada pelo cheiro de fumaça e da cerveja derramada pelos cantos.
Havia o chão sujo e alguns corpos atirados atrás do sofa - meio vivos, meio mortos - que foram pouco à pouco desaparecendo.
Fiquei ali sentado em meu canto, observando os escombros e ouvindo os barulhos de ontem.
Pensando que, no fundo a saudade é tudo o que temos.
A loucura?
Uma válvula de escape…
Talvez, a vulva sagrada de todos nós sonhadores.

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