É a falta…
É a falta, uma necessidade diária de saciar as vontades,
buscar com urgência a felicidade na lisergia dos braços.
Uma pressa vital que consome, como que para viver se precisasse da dose diária.
Da pequena e última dose diária.
Quanto mais saciado, mais sedento.
Quanto mais se quer ficar, mais rápido às horas escorrem.
Surge a angústia dos prazos.
O telefone que toca.
A consciência que espeta e freia as vontades.
Maldade da mente que impede o coração, trava, como se sentir fosse perigoso e o partir não fosse apenas conseqüência do estar.
Como se tudo fosse inevitável e definitivo.
Depois volto ao dia-a-dia travestido de homem normal.
Prisioneiro da imagem, do bem necessário, da verdadeira mentira.
Eterno prisioneiro da saciedade que me exige consumir com os escrúpulos.
É a falta que me faz buscar.
Necessidade…urgência…o prazer de estar.
É a falta que fazes.